Junho 2007


Bom seria se eu não tivesse medo de sentir medo. Eu tenho medo de não estar sempre dependendo de alguém, em vários sentidos, desde os físicos até os financeiros.   

Assim funciona: eu faço muitas coisas, algumas delas ao mesmo tempo, faço por gosto ou por naturalidade ou por obrigação (sim, porque a discussão sobre até onde vai o “fazer naturalmente” e onde vai o fazer por livre e espontânea necessidade é longa”).

E confesso conjugar as categorias mulher-profissional-filha-sempre-por-dentro-das-coisas-outra atividade que eu venha a desempenhar muitas vezes é difícil, e confessar isto também é difícil, porque eu que até então achava possível conciliar todas as coisas, percebo as vezes que não é beeeem assim.  E ai passo a aceitar muitas coisas.

Outro medo, além do tornar-me dependente, confesso é mais forte do que eu: é o medo de finalmente conseguir “aquilo” que eu tanto queria. Eu estou querendo um aumento, recebo-o, quando ele vem… Fico inerte a realidade de ter mais dinheiro.  Foi apenas um exemplo hipotético para ilustrar o quão bobo eu sou neste assunto, antes do acontecimento eu penso nas muitas coisas e depois não consigo fazer nada por muito tempo.

Alguns dizem: “que bom que você realizou o que você tanto queria”. Mas inicialmente eu não fico aliviada, eu penso: E agora?

O acontecimento só serve para me conscientizar do meu desejo, e eu até sei porque temerosa é porque eu vou finalmente saber se atendia as minhas expectativas. O ideal é não criar expectativas, lógico. Bem, eu bem que gostaria de não tê-las, mas às vezes são inevitáveis, mesmo que reduzidas.                                        

Por isso que eu acho que o melhor é ser surpreendida. A gente acha que nada vai acontecer ou está concentrada em outra atividade. A conscientização do desejo torna as coisas muito mais difíceis. Torna a realidade desafiadora.                

Uma das coisas que obrigo-me a fazer como auto-defesa é  não planejar nada na vida pessoal, tá bom que as vezes não dá, mas sempre que possível eu abro mão de fazer planos. Num fim de semana, eu quero o menor nº possível de compromissos. Férias eu dificilmente planejo roteiros: ele nunca é seguido à risca e rola uma frustração (nem que seja pequena).

Lembro da 1ª vez que fui a São Paulo, em 7 dias queria correr muitos lugares, óbvio que não deu para ir em todos, óbvio que tudo que fiz lá foi delicioso (ganhei uma 2ª família), óbvio que ficou a vontade de ir noutros lugares, mas já nem planejei ir à eles mais, são vontadezinhas e vontades costumam dar e passa ou caso venham a realizar-se vai ser uma adorável surpresa (nem tão surpresa assim, mas vai ter gosto de sucesso imprevisto, o que com certeza será delicioso).                                                                                      

Outro medo é ser surprendida num dia em que eu tô com muita programação, tipo: trabalho, curso, fisioterapia… Fora que com o tempo a coisa muda e as atribuições só aumentam.

Por isso eu gosto tanto do sucesso imprevisto, mas eu sei que nem sempre dá. De qualquer forma eu vou lutando para que estes “sucessos imprevistos” sejam em maior nº, porque é o que realmente importam.

É preciso equilibrar o meu lado melzinho com aquele mordaz que aparece levar tristeza ao seu coração, acusae e fazer alguém amargar diante de uma tristeza esquecida e cobrir até o doce do mel …    

Eu espero ter meu coração sempre sereno para ser doce mais vezes.

Eu falei dele aqui e agora está quase pronto.

 

Hoje minha mãe foi ao dentista e encontrou uma menina que ficou conhecida em função de um acidente de trânsito, no qual o motorista do ônibus foi imprudente e ela e sua amiga perderam, ambas, o braço direito.
O motorista é de uma grande empresa de ônibus e claro negou tudo (com desculpas esfarrapadas) e a empresa continua ai com ônibus circulando.
E as meninas? Não recebeu quase nada e tá acumulando perdas irreparáveis. Honestamente eu espero que elas (e todas as outras vítimas de acidente de trânsito, dentre as quais eu me incluo) tenham justiça legal: CADEIA e INDENIZAÇÃO. E rápido.

Cinco universitários espancaram e roubaram a empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto.

Sobre a declaração do pai de um dos acusados, que disse que “são crianças e não podem ficar presos com criminosos”.

O pai de Rubens, Ludovico Ramalho Bruno, não duvida que os cinco jovens tenham cometido a violência, mas acha injusto que eles sejam presos na mesma cela de outros criminosos e fez um apelo às autoridades. “Nós, pais, não temos culpa disso. Eles cometeram um erro. Essa agressão foi um absurdo e devem pagar por isso. Mas não junto com outros bandidos. São primários e estudam. Foi um deslize na vida deles”.

Pelo visto a lógica é essa filho meu tem problemas, filho dos outros é meliante.

São crianças até pra agredir desta maneira?! Não mesmo! Deslize na vida deles? Foi o crime na vida deles.

E por último e mais importante: justiça é tratar o injusto como injusto, agressor como agressor, criminoso como criminoso, injusto seria se estes rapazes não fossem tratados como os criminosos que são, para eles c-a-d-e-i-a já!

Nos últimos meses aconteceu-me uma coisa legal. Banalíssima, mas através dela eu pude aprender muito, conhecendo melhor a mim mesma e as coisas da vida. Comprei um guarda-roupa.

O meu estava tendo uma praga constante de cupim e outros bichinhos da madeira, o que, após intermináveis lutas, fez-me desistir dele.

E numa procura incansável, onde as empresas classe AA e classe Z querem convencer-me de que o produto delas é o melhor, entretanto ambas trabalham com algomerado (um mero artefato de cortiça ou madeira prensada) ou MDF (que é um nome chic pra aglomerado), então como de marketing eu entendo, nenhuma empresa disponível no mercado convenceu-me de que o produto delas era perfeito.

Estou cansada de coisas sem propósito e que muitas vezes nem atenda as minhas necessidades, quiçá os meus desejos, então essa compra foi mais do que a de um guarda roupa, veio para me ensinar alguma coisa, eu preciso de um móvel para compartilhar a minha vida. Comprei um de madeira mesmo, reflorestada (sou ambientalmente responsável), por um preço justo, nem enorme, nem estreito, mas no tamanho ideal, ou seja atendendo a todas as minhas necessidades.

Porque além de guardar as minhas roupas e outros pertences,  irá dividir comigo parte da minha vida. E, pra dividir a minha vida, mesmo que seja um móvel, tem que suprir as minhas necessidades.

Ahhh! Chegou hoje, gostei de cara.

Hoje eu estava falando com uma amiga pelo msn e eis um trecho da conversa:

AMIGA: E ai tá onde?

EU: Em casa, gosto de São João não. E tu?

AMIGA: Eu adoro, tou em Senhor do Bonfim.

EU: Aproveita então e nos forrós arruma um caipira e trás ele pra dividir a  pamonha.

AMIGA: Gosto de capira não :-(

Foi só uma conversa despretensiosa, mas fiquei pensando que talvez falta nas relações entre as pessoas a vontade de dar a oportunidade e ai ter a magia de todos os dias descobrir  muitas coisas boas e também coisas chatas, mas ambas viriam de qualquer jeito.

O fato é que não muda nada quando a gente protege-se, continua sentindo dor e alegria, embora a intensidade possa ser menor.

Penso que a auto-proteção muitas vezes involuntária que criamos é a maneira de estabelecer-se um comportamento padrão, mesmo que este seja impávido e sereno.

Veja como são as coisas…

Ontem de tarde eu dei uma resposta , ou melhor não dei, que me fez questionar se o meu cérebro só serve para ocupar espaço.

Depois eu dormi tarde e acordei cedo não foi a melhor combinação, mas foi o que eu fiz. Resultado: mil bocejos e muito sono.

Hoje se eu não dormir em pé, tô no lucro.

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Andréia me indicou e eu estou passando pra frente!

Ela descobriu que tem tudo a ver com blogs “preocupados e comprometidos com a mudança no planeta”, segundo Fernando Cals, o Observador.

E, segundo a fundadora do prêmio: “Considero um Blog com Tomates aquele que luta pelos direitos fundamentais do ser humano”.

Eu luto pelo direito de estar bem, principalmente daqueles que eu gosto.  E o direito de estar bem passa por uma sociedade justa.

Minha preocupação com a humanidade é  viver de forma justa, mas respeitando as condicionalidades do mundo.

Sociedade justa muito longe da ditadura de Cuba em que as pessoas são cerceadas dos direitos básicos como de informar-se  ou de ir e vir.

Nem como a socialista, que achava injusto eu ter empregada doméstica ou babá, quando injusto é eu me recusar dar emprego a um profissional de serviços gerais e não pagar-lhe um bom salário.

A desigualdade brasileira é muito maior do que eu pensava, abrange muitos setores e não há políticas estruturadas que envolvam estragégia e ação. Na maioria das vezes busca-se promover um nome.

Dinheiro é importante, na minha vida, na dos cubanos e na dos socialistas, embora muitos achem feio falar sobre dinheiro. Ora, dinheiro é o que permite enfrentar os problemas e sobreviver. 

Eu estimo algumas coisas que os Cubanos têm: como acesso a saúde e a educação de qualidade e gratuitos ou a disciplina dos soviéticos.  

Mas não queria ser igual a nenhum deles. 

Tenho coisas em comum com eles uma delas é que tenho família originalmente pobre.  

Hoje eu tenho formação superior e vivo com certo conforto, mas meus pais foram funcionários públicos que eram transferidos para outras cidades e iam em busca de uma vida melhor para si e para os filhos. 

Meus ascendentes, não conquistaram terras nem tiveram escravos. Mas estavam trabalhando, trabalhando na terra, enfrentando a seca, povoando o Brasil…

Que eu seja subprodtuto do capitalismo, bem, nestas condições que eu mostrei ai em cima, isso não é privilégio meu, não é mesmo?

E passo esta bola para: João e Maria.

Pois como qualquer brasileira, eu ouvi e li muito sobre Portugal e o que os patrícios fizeram aqui no Brasil. Então eu não acreditei que tive a maravilhosa chance, não apenas de te conhecê-los, mas também de sentir que, por trás de tudo que eu já sabia, existe muito mais… 

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Eu tenho problemas urgentes (são os mais freqüêntes), alguns impossíveis, problemas de difícil solução e coisinhas que me aborrecem mas que não chegam a ser problemas   (como o fato de alguém divergir de mim e isso me deixa contrariada).

Ao Deus em que eu acredito a invocação nunca é tardia, mas ele apesar de me atender bem, as vezes deixa pra amanhã.   E não pergunta muito sobre as minhas causas, do contrário ele também acredita nelas :)

Eu já tive vários sinais da sua existência e que comprovam a eficiência da forma como eu rezo (ou converso com ele) ;)

Mas também justificativas do abandono da sociedade, tipo promessas vazias que a gente faz (eu não estou fora dessa) .

O Deus que eu acredito, não me pede sacríficios, embora algumas vezes eu tenha de renunciar a alguns confortos.

Também não me faz chantagens, porque não é adepto de ferramentas como o medo.

Ele felizmente não aceita certas coisas, por mais que na hora seja duro para mim. Mas venho tendo uma conduta mais certinha, para que a vida seja mais vantajosa pra mim. Vantajosa no sentido de aproveitar mais, não de me dar melhor sobre algo ou alguém.

Ai pode vir mais um sinal, como um método que faça a minha perna não inchar nunquinha. Mas Ele já deu vários sinais: a perna funcionando; as meias compressivas; o gel relaxante. Já deve até pensar - Gabriela, não tá bom?! E eu, com com a cara mais irritada do mundo, digo: - Ah não!!!! Já basta o que me aconteceu! E ele entende.

É por isso que eu acredito e muito.

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