Bom seria se eu não tivesse medo de sentir medo. Eu tenho medo de não estar sempre dependendo de alguém, em vários sentidos, desde os físicos até os financeiros.
Assim funciona: eu faço muitas coisas, algumas delas ao mesmo tempo, faço por gosto ou por naturalidade ou por obrigação (sim, porque a discussão sobre até onde vai o “fazer naturalmente” e onde vai o fazer por livre e espontânea necessidade é longa”).
E confesso conjugar as categorias mulher-profissional-filha-sempre-por-dentro-das-coisas-outra atividade que eu venha a desempenhar muitas vezes é difícil, e confessar isto também é difícil, porque eu que até então achava possível conciliar todas as coisas, percebo as vezes que não é beeeem assim. E ai passo a aceitar muitas coisas.
Outro medo, além do tornar-me dependente, confesso é mais forte do que eu: é o medo de finalmente conseguir “aquilo” que eu tanto queria. Eu estou querendo um aumento, recebo-o, quando ele vem… Fico inerte a realidade de ter mais dinheiro. Foi apenas um exemplo hipotético para ilustrar o quão bobo eu sou neste assunto, antes do acontecimento eu penso nas muitas coisas e depois não consigo fazer nada por muito tempo.
Alguns dizem: “que bom que você realizou o que você tanto queria”. Mas inicialmente eu não fico aliviada, eu penso: E agora?
O acontecimento só serve para me conscientizar do meu desejo, e eu até sei porque temerosa é porque eu vou finalmente saber se atendia as minhas expectativas. O ideal é não criar expectativas, lógico. Bem, eu bem que gostaria de não tê-las, mas às vezes são inevitáveis, mesmo que reduzidas.
Por isso que eu acho que o melhor é ser surpreendida. A gente acha que nada vai acontecer ou está concentrada em outra atividade. A conscientização do desejo torna as coisas muito mais difíceis. Torna a realidade desafiadora.
Uma das coisas que obrigo-me a fazer como auto-defesa é não planejar nada na vida pessoal, tá bom que as vezes não dá, mas sempre que possível eu abro mão de fazer planos. Num fim de semana, eu quero o menor nº possível de compromissos. Férias eu dificilmente planejo roteiros: ele nunca é seguido à risca e rola uma frustração (nem que seja pequena).
Lembro da 1ª vez que fui a São Paulo, em 7 dias queria correr muitos lugares, óbvio que não deu para ir em todos, óbvio que tudo que fiz lá foi delicioso (ganhei uma 2ª família), óbvio que ficou a vontade de ir noutros lugares, mas já nem planejei ir à eles mais, são vontadezinhas e vontades costumam dar e passa ou caso venham a realizar-se vai ser uma adorável surpresa (nem tão surpresa assim, mas vai ter gosto de sucesso imprevisto, o que com certeza será delicioso).
Outro medo é ser surprendida num dia em que eu tô com muita programação, tipo: trabalho, curso, fisioterapia… Fora que com o tempo a coisa muda e as atribuições só aumentam.
Por isso eu gosto tanto do sucesso imprevisto, mas eu sei que nem sempre dá. De qualquer forma eu vou lutando para que estes “sucessos imprevistos” sejam em maior nº, porque é o que realmente importam.
