Dezembro 2006


Não sei o que isso significa, nem tem relação com a minha vontade, mas confesso: ainda bem que 2007 vem ai e logo.

As coisas mais importantes da minha vida surgiram sem grandes perguntas e depois compreendo o porquê de tão poucas questões: o acontecimento nem sempre tinha escolha, mas guardava tanta importancia, que não haviam perguntas tão drásticas, apenas vivia-se de forma cuidadosa e depois descobria o significado.

Assim é o Natal deste ano, sem tramas mais ousadas, apenas acontecendo. O que já é um presente: viver uma sequencia de momentos do jeitinho que eu gosto, com doces sensações e sem planos robustos.
Um Feliz Natal, cheio de signficados de vida e não apenas religiosos.

Bom mesmo é sentir conforto diante do simples.

Percebo que mesmo que o tempo passe, que eu tenha mudado e muito, continua tudo igual.

No fim das contas os sonhos são vontades, dentre outras tantas. Que existem de tanto acreditar que é possível, mas nem sempre é na mesma intensidade.
Algumas vezes o que eu penso acontece, outras se está do lado de dentro e ai é a prova real.

A vida as vezes dá um lembrete de que as coisas são assim, bem mais surreais do que pensamos mas nem por isso deixam de ser agradáveis.

Pra mim as coisas funcionam quando se poder sair dos trilhos, sem se preocupar com aprovações até porque a vida passa a ser feita de tudo o que vale a pena.
Os dias passam a ser melhores, não porque haveria sempre sol brilhante e fresco, mas porque o riso seria veradeiro, o compromisso por vontade e não uma escolha forçada e isso aquece.

As pessoas passam a ser menos exigentes, protegerem-se e quererem-se, a partir daí se entendem num gesto, num olhar. Um dia sim o outro também.
O fato das coisas funcionarem não paga contas, mas justifica a existencia, preenche o tempo com valores reais .
Coisas são impossveis?! Sei não… Quando a gente quer e sente vontade isso nos faz levantar toda manhã e continuar e ai passa a ser possível.
Se o baiano é ou não uma raça eleita, há controvérsias. Mas que se trata de uma raça privilegiada, não há dúvida.
texto de Nizan Guanaes

Quando eu conheci Jorge Amado em Paris, ele me levou para almoçar num bistrô perto do seu apartamento no Marais. Ao longo do caminho, fiquei pensando em algo bem inteligente para impressionar o grande escritor. Ao sentarmos à mesa ele disparou:
- “Nizan, você já reparou como a bunda da Mãe Cleusa é grande?”.
A Bahia é assim. Desconcertante.
Pense num absurdo, multiplique por dois: na Bahia já aconteceu. Há em Salvador uma casa funerária que se chama Decorativa e uma companhia de táxi aéreo que se chama BATA (Bahia Táxi Aéreo).
É dentro deste espírito esportivo que a Bahia surpreende desde 1500. Caetano Veloso me disse rindo que os baianos e os judeus se julgam raças eleitas e (sic) que ambos têm razão.
Se somos ou não raça eleita, há controvérsias. Mas que é uma raça privilegiada não há dúvida. Castro Alves, Rui Barbosa, Jorge Amado, Assis Valente, João Gilberto, Caetano, Gal, Gil, Bethânia, Daniela Mercury, Glauber Rocha, Dorival e Nana Caymmi, Raul Seixas, e agora Piti. Não pode ser coincidência.
Não é. É fruto da energia que o índio enterrou, que o português descobriu misturado com o axé que o negro trouxe. É essa energia que buscam os cansados, os estressados, os sem esperança, os de alma ou cadeira dura. E a Bahia os acolhe com sua graça e sua benção. Dianne Vreeland diz na peça Full Gallop, grande sucesso na Broadway, que o azul mais bonito é o céu da Bahia. Tudo na Bahia tem luz, sobretudo as pessoas. Que em sua simplicidade, com sua fé, com suas peles negras e dentes alvos, dançam, cantam e iluminam um mundo rico, mas cada vez mais pobre.
Um desses endinheirados, mas pobres de espírito, certa vez resolveu pegar no meu pé, numa festa, e me perguntou:
- “Se a Bahia é tão boa, porque você não mora lá?”.
E eu respondi na lata:
-”Porque lá eu não me destaco, são todos baianos”.

Depois de tudo que tem me acontecido, as vezes tenho a sensação de já ter vivido algumas coisas, só que muda uma coisa ou outra e eu continuo despreparada.

Bom, eu espero ter aprendido alguma coisa com os treinos para enfrentar a versão nova.

Ontem fui comer uma feijoada e passei uma tarde agradável, conversando de forma descontraída. Na casa da minha tia-avó-caçula.

Sempre vou a casa dela, onde passamos momentos muito agradáveis e sinto-me muito feliz de poder ter mais do que laços sanguíneos com ela, mas laços de amizade.
Tenho pessoas próximas e muito queridas que de nada lembra o fato de termos muito tempo de diferença de idade. Aliás, a diferença do tempo com estas pessos não existe, porque o teor das conversas é dos mais leves possíveis e quando precisa ser sério é sem aspereza.

Bom … ontem estive eu curtindo um momento congelante.

Resultado do desgaste e meu corpo respondeu, como era de se esperar.
E eu hoje por uns minutos fiquei emocionada. Uma reação inesperada pra mim mesma que já tinha passado por tantas coisas do tipo, mas agora tem tido outro valor. Não tem sido fáceis estes dias, parece que cada dia tem uma carga maior, mas o resultado é este que tenho tido e o corpo tem respondido a altura.
Será que tudo isto adianta? Não sei. Não sei mesmo.

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