Outubro 2006


Todo dia começa-se uma nova história, desenvolvida a partir de um passado. Hábitos que continuam de uma maneira diferente e a partir daí interage-se com o mundo, desenvolve-se uma identidade diante de um grupo.
A partir deste novo começo diário, pode ser feliz quanto infeliz. Tudo depende de como se trata o novo e até as coisas comuns do dia-a-dia. A compreensão é a chave para conviver com as identidades, pessoais e dos outros.
O mundo dá voltas, mas às vezes as voltas são rápidas demais, outras vezes voltas previsíveis e cansativas. Mas mesmo assim, não dá pra acordar de manhã e ter certeza do que vai acontecer, nem analisar uma pessoa ou uma situação por um fato ou palavra isolada. Até porque também existem os predicados ruins pessoais e intransferíveis de hoje, de ontem e de amanhã.
A minha vaidade é nunca perder o limite e o respeito pelo próximo. Mesmo quando o outro lado já perdeu o pouco que tinha, espero ser sutil ao chamar atenção. E se nada adiantar espero ter noção suficiente para sair antes de uma briga.
Vaidade porque às vezes eu também me divirto com determinadas pessoas, só que eu não sou idiota a ponto de me dar ao trabalho de dar tanta atenção para tais ações. Tenho discernimento suficiente para que se eu tiver algum problema com alguém ou alguma coisa, eu digo pessoalmente e quando não faço é por coerência ao que acredito que nem vale a pena tentar.

O resultado de ontem das eleições presidenciais mostrou que todos (generalizando mesmo, porque eu não me incluo fora dessa) fazemos parte de um processo de desonestidade que existe desde que o Brasil é Brasil. As vezes penso que a corrupção (corrupção o Lat. corruptione s. f., ato ou efeito de corromper; podridão; decomposição; putrefacção; fig., devassidão; adulteração; suborno; prevaricação) é condição estabelecida para garantir o mínimo de felicidade.

Se ficássemos reclamando menos do governo e agíssimos de forma mais responsável, haveriam menos exemplos de corrupção tão escancarados.
Mas… O Brasil pouco tem hábito de pensar à frente, resultado: a cada governo existem reclamações sem fim, mas pouco vemos um projeto consistente.
Sei que deve ser difícil para alguns que preferem ouvir palavras bonitas, o fato de que o presidente é retirante nordestino capaz de fazer avanços sociais que tanto o país precisava.
Eu espero que principalmente estes próximos 4 anos tornem os avanços sustentáveis. E que os brasileiros não se sintam impotentes frente o poder da corrupção.
Muitas coisas na minha vida aconteceram rápido demais, as vezes por uma razão maior do que a minha vontade, mas procuro dominar minhas carências, podia estar acomodada, mas não estou.
Correr, além de minha rotina é também meu remédio, minha meditação, minha melhor companhia (mesmo que de mim mesma). Corro, também porque acho bonito e porque gosto, porque penso que deixo para trás o que passou, as coisas tristes é quase uma defesa.
Corro porque posso, quer fisicamente quer psicologicamente, tenho bom organismo que me ampara e tenho cuidados, pois dependo principalmente de minha saúde para viver. Porque cuido de minha saúde alimento-me melhor.
Hoje correr, é praticamente uma contradição, significativa.
Ai dia desses fui fazer uma aula experimental de pilates e durante 1 h 20 m a professora dizia: devagar! Não entendi mesmo!!!

Eu nunca achei que bom é ser criança, bom é ser adolescente ou ser adulto… Todas épocas têm suas coisas boas e suas coisas chatas.

Quando crianças eu não tinha muitas obrigações além de ir escola, fazer os deveres de casa, brincar com os amigos e ficar com a família.
Quando adolescente eu além das coisas de antes, ia a festinhas na casa dos amigos e sentia meu corpo se transformar mais que antes.
Agora que sou adulta, de fato as coisas estão mais sérias, afinalç eu já terminei os estudos, trabalho e pago contas.
Nunca acreditei que o tempo que passou era bom, nunca disseram que eu devia ser de um jeito ou de outro, que se eu não seguisse por um caminho eu iria perder muitas oportunidades, que em tal época eu deveria querer tal coisa, ou que em tal época seria difícil lidar com tal situação ou pessoa, que eu tinha que ser muito boa em alguma coisa, que eu tinha que ter explicações pra tudo.
As coisas foram acontecendo, eu sempre quis saber os porquês de estarem acontecendo por conta da minha curiosidade e não pra responder a quem quer que sejam.
Cada vez mais percebo que há muita competição, mas nem todos buscam aprender pelos próprios esforços ou sentir-se bem, mas atender as expectavias, para ter melhor posição frente a geral.
Dizem as crianças que elas podem fazer o que quiserem desde que respeitem os outros, mas a geral acha que não somos maduros porque não respeitamos a convenções.
Eu não aceito isso, minha preocupação maior é com o respeito a mim e ao próximo, mas ajo, analiso e tenho opinião, mesmo que ninguém concorde. E tenho sido feliz assim.
Recentemente houve nova publicação do último livro de Drummond “O Observador no Escritório”, onde há as últimas anotações reunidas, onde há analise do “papel dos homens na história”.
Carlos Drummond de Andrade morreu há 34 anos e seus escritos comprovam que da simplicidade brotam obras que vão ser apreciadas em médio e longo prazo.
Através do diário, foram escritas opiniões sobre família, cotidiano de funcionário público-jornalista-poeta, bem como da situação do Brasil pós 1964.
Portanto despretensiosamente vejo que meus escritos aqui no blog, podem ter sua importância mais à frente.

Depois de conviver com as mesmas pessoas por mais de 4 anos durante muitas horas/dia, é bom saber que 1 ano depois estou falando com algumas destas pessoas, só que não mais como estudante mas como bacharel (ou bacharela?!) e agora oficialmente, já que agora eu tenho um diploma pra chamar de meu.

Percebo que as pessoas tem buscado desempenhar muitas funções (profissionais, pessoais, emocionais, …), mas o tempo ainda é o mesmo: 24 horas. Mas a corrida é maior, resultado, muitas vezes perdem-se oportunidades de aproveitar as pequenas coisas boas.

Racionalizamos muito algumas coisas e nos fechamos pra outras, vivemos muitas vezes fazendo as mesmas coisas de modo cansativo. Daí vem a sensação que a vida do outro é melhor, a vida de antes era melhor. Quando não é.
Se criamos expectativas diante de alguma época, alguém ou alguma coisa, faltamente vamos nos frustrar ou ficar tristes.
Se nos preocuparmos menos em obedecer a qualquer convenção, nos comprarmos menos com o lado de fora, vamos perceber como a nossa vida é interessante, em cumprir bem funções da rotina, usufruindo de cada situação. Mesmo com muitas coisas a fazer, encontrar um jeito de aproveitar .
Porque se com o passar do tempo, com o aumento do nº de atividades, perdermos a dedicação às coisas, realmente o passado era melhor.
Assim como uma planta, ou um trabalho profissional, as situações e relações, exigem encontros, exigem cuidados diários.
Certa vez eu disse aqui sobre o “ser baiana”, todo o conjunto de impressões que os não-baianos têm sobre os baianos.
A Bahia é o estado brasileiro que mais recebe turistas, só perde para o Rio de Janeiro, com a vantagem de que tem turista o ano inteiro.
Existem empreendimentos imobiliários destinados exclusivamente a europeus. Recentemente eu atestei isso, na praia tem muitos italianos, no Pelourinho muitos espanhóis e no aeroporto algumas lojas aceitam euro e têm anúncios em italiano.
Os bons tempos parecem estar voltando e não é só opinião minha que uma vez que eu sou suspeita por motivos óbvios, eu tou postando sobre algo visível.
A cidade enche, a coca-cola fica mais cara, mesmo assim adoro e fico feliz porque outras pessoas gostam também.
Além do que turistas são educadinhos e generosos.

O Fantástico de ontem passou a reportagem de um senhor que se perguntou “Quem eram seus amigos de verdade?” E percebeu que conseguia se relacionar com muitos, mas ser amigo de poucos.
Ai eu puxei a brasa pra minha sardinha total e lembrei de como eu era quando eu comecei o blog, antes eu falava de coisas mais detalhadas da minha vida, agora escrevo de forma mais impessoal, expondo situações comuns.
Observo também que o nº de comentários diminuiu, atualmente a maioria são de aqui. Hoje o blog virou uma espécie de terapia. Está mais despojado. Talvez aqui seja o espaço em que eu seja o centro do mundo e que por mais que eu saiba que o mundo não acontece de acordo com as minhas vontades, aqui eu conto as coisas a partir dos meus olhos e sensações.
Tenho boa memória, costumo lembrar além do nome da pessoa, a última vez que eu a vi, quando e o que nós falamos, o aniversário e o signo e sei que um telefonema pode fazer toda a diferença.
E para aquelas pessoas que merece algo mais que um telefonema, mas por inúmeros fatores não posso dar, aquelas amizades virtuais, ai valem as palavras virtuais, e os esforços para que elas sejam reais.
A vantagem do “amigo virtual” é que tenho contato intenso, que desconstróem -se as artificialidades e eu os amo como eles são.

“O todo sem a parte não é todo/ A parte sem o todo não é parte/Mas se a parte o faz todo, sendo parte/Não se diga que é parte, sendo o todo/ Em todo o Sacramento está Deus todo/ E todo assiste inteiro em qualquer parte/ E feito em partes todo em toda a parte/ Em qualquer parte sempre fica todo” Gregório de Matos

É irremediável, por mais que eu não queira, que eu ainda tente entender como tudo isso é possível, sei que não há nada a fazer.
As vezes é uma agonia, as vezes penso que não tenho forças para suportar, que a minha máquina de viver quer funcionar, mas está parada.
Hoje minhas prioridades são: minha saúde (principalmente a perna direita), minha família, meus amigos do peito e eu. Necessariamente nesta ordem que vivo há mais de 1 ano e sei que vai continuar assim.
Pode haver quem discorde de meu modo de vida, mas pra mim não existe outro jeito de viver. Preciso ter saúde para que as pessoas que eu escolhi (e que me escolheram também) estejam sempre por perto.
Existirão aqueles que vivam diferente, mas eu escolhi assim. E assim tem sido bom, embora as vezes sofrido, porque não há necessidade de concessões desnescessárias.
Estou sempre livre para as minhas prioridades, daí não há qualquer necessidade de hipocrisia se qualquer membro de uma das prioridades me chamar e nem precisa ser situação-limite. Eu sempre vou estar disponível nestas situações e acho até bom que não seja situação-limite.
Diante disso eu faço as minhas coisas, só que não sou egoísta ao ponto de acreditar que não consigo viver sem algo ou alguma coisa, nem deixo de tratar de algo ou de alguém porque costumo ter em mente minhas escolhas.
Eu consigo me enxergar em cada ação para a minha saúde ou para terceiros. Eu estou em tudo e além de tudo que faço e que gosto. Sendo assim estou inteira em tudo, sem ressalvas, porque consigo personalizar cada ação e situação.
Meu maior sonho é continuar a viver todos os dias mantendo estas escolhas de forma saudável, porque quando sobra tempo pra mim é porque falta para alguma escolha.

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